Banco Central mantém taxa básica pela segunda vez consecutiva na tentativa de conter inflação e incertezas no cenário internacional
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano. Com isso, a taxa básica de juros segue no maior patamar desde 2006, conforme já era esperado pelo mercado.
A decisão vale até a próxima reunião do Copom e ocorre em meio a um cenário de atenção à inflação doméstica e instabilidade no ambiente econômico internacional. De acordo com o comunicado do Banco Central, a manutenção da Selic tem como objetivo principal “assegurar a convergência da inflação à meta ao longo do horizonte relevante da política monetária”.
O BC também destacou que o cenário externo segue desafiador, especialmente devido à condução da política monetária nos Estados Unidos e às tensões geopolíticas globais. Ainda segundo a instituição, a taxa poderá permanecer nesse nível por um “período bastante prolongado”, caso os riscos para a inflação continuem ou aumentem - esse é o maior patamar da Selic em quase 20 anos.
Para Herbert Camilo, CEO da Anttecipe.com, a conservação dos juros em níveis elevados tem impactos diretos no cotidiano da população. “Até a reunião de julho do Copom, tivemos sete altas consecutivas na taxa básica de juros desde setembro de 2024. Isso é alarmante, especialmente quando observamos que o endividamento das famílias também segue em alta. Diante disso, muitos acabam recorrendo ao crédito para equilibrar as contas, mas os juros elevados tornam o acesso a este tipo de serviço cada vez mais difícil e caro”, avalia.
Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de pessoas que não têm condições de quitar dívidas atrasadas subiu para 12,8%. Já o endividamento chegou a 78,8%, o maior índice desde novembro de 2022, enquanto a inadimplência atingiu 30,4% em agosto de 2025 - o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), iniciada em 2010.
“É um cenário bastante desafiador para a economia brasileira em geral e ainda mais para o trabalhador que espera pela decisão de uma ação judicial, e tem que lidar com as altas dos preços no dia a dia sem receber a indenização a que tem direito. Neste momento, vender um processo trabalhista pode ser uma alternativa financeira para capitalização”, afirma Camilo
