Projeto desenvolvido por alunos de Engenharia de Alimentos da Faculdade Engenheiro Salvador Arena transforma resíduo orgânico em alternativa promissora para a produção de objetos e abre caminho para futuras aplicações na indústria de materiais sustentáveis
Um resíduo comum no dia a dia dos brasileiros, a borra de café, foi o ponto de partida para um projeto inovador desenvolvido por alunos da Engenharia de Alimentos da Faculdade Engenheiro Salvador Arena, 100% gratuita e mantida pela Fundação Salvador Arena. A equipe criou um biocomposto sustentável a partir da combinação entre PLA, polímero de origem renovável, e borra de café, com o objetivo de reduzir parcialmente o uso do polímero e agregar valor a um resíduo orgânico abundante.
Com a proposta, os estudantes conquistaram o 1º lugar no ZwickRoell Inspires, competição promovida pela alemã ZwickRoell, empresa líder mundial em máquinas para ensaios estáticos de materiais e presente em 56 países. A 3ª edição do prêmio reconhece projetos universitários que aplicam a ciência dos materiais na solução de problemas reais, com foco em inovação, viabilidade técnica, funcionalidade e potencial de aplicação comercial.
Embora a borra de café já seja estudada para aplicações como biocombustíveis e geração de energia, o grupo seguiu outro caminho ao transformar o resíduo em um biocomposto voltado à criação de materiais mais sustentáveis. A proposta apresenta uma alternativa promissora para a produção de objetos, ao combinar reaproveitamento de resíduos, redução parcial do uso de polímeros e desempenho técnico avaliado em ensaios mecânicos.
“O objetivo do projeto foi mostrar que um resíduo comum, muitas vezes descartado sem aproveitamento, pode ganhar uma nova função a partir da ciência dos materiais. A combinação entre borra de café e PLA permitiu desenvolver um biocomposto com potencial para aplicações em diferentes tipos de objetos, unindo sustentabilidade, inovação e viabilidade técnica”, afirma Giovana Roberta Alves, formanda em Engenharia de Alimentos, uma das integrantes do grupo que desenvolveu o projeto.
Durante o desenvolvimento, os alunos produziram amostras com diferentes concentrações de borra de café, como 5%, 10% e 15%, e realizaram ensaios para avaliar propriedades como tensão e deformação em comparação ao PLA. Os testes foram conduzidos com equipamentos de caracterização de materiais e ajudaram a demonstrar o desempenho da solução proposta.
O biocomposto pode ser aplicado na produção de objetos como peças, protótipos, embalagens rígidas, utensílios, suportes, vasos, brindes, itens decorativos e produtos feitos por impressão 3D. Essas possibilidades indicam caminhos para o reaproveitamento da borra de café na criação de materiais de maior valor agregado, com potencial para futuras aplicações industriais após novas etapas de teste, validação técnica e escala.
O projeto foi desenvolvido por alunos da Engenharia de Alimentos da FESA, com orientação dos professores Nilson Yukihiro Tamashir e Ricardo Trefiglio, professores dos cursos de Engenharia de Controle e Automação, Engenharia de Alimentos e Administração. Além do desenvolvimento técnico, a proposta também precisava demonstrar viabilidade como negócio e apresentar um protótipo funcional.
