A presidente do Fundo Social de Solidariedade de São Caetano do Sul, Renata Galati, concedeu entrevista ao Jornal da Região e destacou os principais avanços das políticas sociais e de proteção às mulheres no município. Entre os temas abordados estão a ampliação dos cursos de capacitação, o atendimento a milhares de famílias em situação de vulnerabilidade e iniciativas como o Smart Sanca Lilás, programa que fortalece a rede de proteção às vítimas de violência doméstica.
Como a senhora avalia sua trajetória até aqui?
Renata Galati: Assumir o Fundo Social foi uma das decisões mais transformadoras da minha vida. Hoje, entrando em 2026, posso dizer que evoluímos muito. Estruturamos projetos, ampliamos atendimentos e fortalecemos parcerias. Mais do que números, conseguimos entregar dignidade, oportunidade e acolhimento. Meu sentimento é de responsabilidade renovada para continuar avançando.
Quais são os principais números que mostram o impacto do Fundo Social atualmente?
Renata Galati: Hoje atendemos mensalmente aproximadamente 1.500 famílias por meio das cestas básicas destinadas a 31 entidades e 11 paróquias cadastradas. Pelo Banco de Alimentos, nós distribuímos alimentos doados pela rede varejista da cidade para 72 entidades cadastradas.
Oferecemos cursos de capacitação e, só em 2025, formamos 1.480 alunos. Em 2026, nós ampliamos essas vagas para 35 cursos e 73 turmas, nas áreas de Gastronomia, Estética, Artesanato e Ambientes & Interiores.
A Lojinha Solidária se tornou uma marca do Fundo Social. Qual é o diferencial dessa ação?
Renata Galati: A Lojinha Solidária representa dignidade. Não entregamos apenas roupas, oferecemos a possibilidade de escolha. Criamos um ambiente acolhedor, com organização por categorias e provadores, onde cada pessoa pode selecionar peças que realmente gosta e que servem.
A pauta da proteção às mulheres tem sido uma das principais bandeiras. De onde nasceu esse compromisso?
Renata Galati: Nasceu da escuta. Quando você começa a ouvir histórias reais de mulheres que vivem sob ameaça, medo e violência, entende que não é apenas uma pauta social, é uma urgência. Eu decidi que, enquanto estivesse à frente do Fundo Social e ao lado da gestão municipal, essa seria uma das minhas maiores lutas, proteger vidas.
A implantação do Smart Sanca Lilás foi um marco e você esteve a frente dessa implantação. Qual é a importância desse programa para São Caetano?
Renata Galati: O Smart Sanca Lilás representa um avanço concreto na proteção das mulheres vítimas de violência doméstica. Ele fortalece o monitoramento, agiliza respostas e integra as forças de segurança em conjunto com o Smart Sanca e toda a equipe de segurança do município. Não é apenas um programa, é uma rede de proteção ativa. Nosso objetivo é que nenhuma mulher se sinta sozinha ou desamparada.
O que diferencia o Smart Sanca Lilás de outras iniciativas já existentes?
Renata Galati: O diferencial está na integração e na tecnologia. Trabalhamos para que o sistema seja ágil, eficiente e preventivo, assim como já temos o Smart Sanca. A proteção precisa acontecer antes que a violência evolua. O programa une monitoramento, acolhimento e acompanhamento, criando um suporte mais efetivo para quem precisa, além do botão de emergência, onde a mulher em situação de risco, aperta e a segurança é acionada imediatamente. A resposta imediata para a segurança dessas mulheres tem sido o diferencial para o nosso município. Em 2025 não houve casos de feminicídio e o Smart Sanca Lilás atendeu 135 mulheres, levando mais segurança na vida de cada uma delas.
A senhora implantou também a Roda de Conversa “Falando Sério”. Qual foi o objetivo dessa iniciativa?
Renata Galati: O objetivo foi abrir espaço para diálogo verdadeiro. A primeira edição abordou justamente a violência contra a mulher, porque precisamos quebrar o silêncio. Informação salva vidas. Quando falamos sobre o tema de forma clara e acessível, fortalecemos a rede de apoio e encorajamos denúncias.
Neste ano teremos mais rodas de conversa do “Falando Sério”, abordando diferentes temas e para todos os públicos, de faixas etárias diferentes.
Um dos seus objetivos para 2026 é trazer a tornozeleira eletrônica para o município. Como isso funcionaria?
Renata Galati: E vamos conseguir! A tornozeleira eletrônica é uma ferramenta fundamental para garantir que medidas protetivas sejam realmente cumpridas. Nosso objetivo é implementar esse sistema para monitorar agressores e aumentar a segurança das vítimas, além de inibir a aproximação do agressor. Não basta conceder a medida judicial, é preciso fiscalizar e garantir o cumprimento e temos uma tecnologia de ponta na cidade para tornar isso possível.
Considera que São Caetano pode se tornar referência na área?
Renata Galati: Eu acredito que sim, pois já somos uma referência quando se trata de uma cidade que não houve feminicídio e que temos toda uma tecnologia de ponta e segurança preparada para atender essas mulheres. Temos estrutura, compromisso e vontade política para avançar.
Que mensagem deixa para as mulheres de São Caetano?
Renata Galati: Vocês não estão sozinhas. Existe uma rede, existe acolhimento e existe compromisso. Vamos continuar trabalhando para que São Caetano seja uma cidade onde as mulheres possam viver com liberdade, segurança e dignidade.
