Na onda das canetas emagrecedoras: como emagrecer de forma sustentável e permissiva?

Março 24, 2026
Na onda das canetas emagrecedoras: como emagrecer de forma sustentável e permissiva?

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Março é considerado o mês da obesidade. Segundo dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde  (OMS), cerca de 16% dos adultos do planeta têm obesidade e outros 43% têm sobrepeso. O levantamento anual realizado pelo Ministério da Saúde (pesquisa Vigitel), mostrou que a obesidade no Brasil saltou 118% de 2006 a 2024, chegando a uma proporção de 1 a cada 4 adultos, o que representa 25,7% dos brasileiros. Já com relação ao sobrepeso, os números chamam ainda mais a atenção, pois é algo que acomete a maioria da população brasileira, 62,6%. 

Diante do cenário alarmante, a busca por dietas e alternativas "milagrosas" também é algo que cresce cada vez mais entre aqueles que enfrentam algum tipo de problema relacionado ao peso. Entre as opções mais recentes, que têm despertado a atenção  de muita gente e gerado debates, estão as chamadas "canetas emagrecedoras". 

Geovana Orlando, que é nutricionista da Lowçucar,  explica que estes medicamentos são da classe dos agonistas do GLP-1, que é um hormônio natural produzido no intestino após a ingestão de alimentos. Originalmente elas  foram desenvolvidas para o tratamento do diabetes tipo 2, porém posteriormente, estudos clínicos demonstraram impacto significativo na perda de peso.

De forma simplificada, o que as canetas causam no organismo é: uma redução significativa do apetite, um  retardo do esvaziamento gástrico, maior sensação de saciedade, redução da preferência por alimentos altamente calóricos e melhora no controle glicêmico. 

Não existe milagre é preciso ter estratégias

Que as canetas emagrecedoras são eficientes nos tratamentos de obesidade, diabetes tipo 2 e de forma geral ajudam a emagrecer, não restam dúvidas. Porém, a profissional faz um alerta, tanto com relação a este tipo de medicamento, quanto para outras dietas e soluções que se popularizam entre as pessoas que estão em busca da redução de peso: não existe solução milagrosa. 

"As canetas ajudam, mas se você não mudar sua relação com a alimentação o peso pode voltar. Sem adaptação alimentar, o corpo responde e depois cobra. É aqui que entra a estratégia, não é preciso cortar tudo, só é necessário escolher melhor".

De acordo com a nutricionista da Lowçucar, mesmo usando caneta emagrecedora, picos glicêmicos podem atrapalhar a estabilidade energética e o controle do apetite. Uma boa dica, por exemplo, é combinar um carboidrato com proteína e gordura boa, isso reduz picos de glicemia e mantém energia estável por mais tempo.

Um estudo da Diabetes Obes Metab (2022) mostrou que um ano após a suspensão da semaglutida 2,4 mg, participantes recuperaram aproximadamente dois terços do peso perdido, junto com parte das alterações cardiometabólicas. Isso reforça que a medicação facilita a perda, mas a manutenção depende do ambiente metabólico que a pessoa constrói.

Existe um período mínimo de adaptação, o cérebro precisa reaprender e o paladar precisa mudar, o que não acontece do dia para a noite. Produtos zero ajudam nessa transição, pois reduzem o impacto do açúcar e facilitam a adaptação do paladar, o que ajuda a sustentar o processo. Restrição extrema aumenta compulsão e nestes casos o ideal é trabalhar a consciência alimentar, a redução da vontade exagerada por doce e fazer escolhas "menos piores" dentro da realidade.

"O objetivo não é apenas perder peso, é perder com qualidade metabólica e isso exige escolha inteligente. Se você mantém açúcar tradicional na rotina, mantém o mesmo estímulo no cérebro. Trocando o açúcar comum por versões zero, você reduz a carga glicêmica e facilita a adaptação do paladar. Além disso, priorize proteína e micronutrientes, preserve o músculo, evite deficiência nutricional e pratique atividade física com regularidade. A caneta começa o processo, mas as escolhas inteligentes mantêm o resultado", complementa Geovana. 

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